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A Cidade de São Thomé das Letras

O município de São Thomé das Letras, no sul de Minas Gerais, aparece ao longe no topo de uma montanha de mais ou menos 1444 metros de altitude. São Thomé carrega a aura de uma cidade mística e esotérica. Para lá correm os que procuram a energia das pedras. Os estudiosos de grutas e pinturas rupestres, também ali procuram e tem aqueles que querem simplesmente tomar banho em cachoeira de água gelada.
A imagem de São Thomé das Letras à distância é a de um belo cartão postal. A cidade está no alto da montanha. As pedreiras aparecem como manchas esbranquiçadas. Poucas construções de pedra do século 18 foram conservadas, como a igreja Nossa Senhora do Rosário, também chamada igreja de pedra, e os passos da paixão-oratório nas ruas-,onde os fiéis da procissão param para rezar.
Cerca de 70 mil metros quadrados de pedras são extraídos por ano do município. São quartzitos ou simplesmente "pedra São Thomé", usadas para revestimento de paredes e pisos de casas espalhadas pelo Brasil a fora. A exploração de pedras emprega cerca de 20% da população. O sistema de extração é ainda rudimentar, feito com alavancas de ferro para separar as lâminas de pedras. O corte das pedras é manual.

Uma natureza sem igual. Formações rochosas de arenito e quartzito criadas, há 600 milhões de anos, no pré-cambriano. Incontáveis cachoeiras e corredeiras, paisagens deslumbrantes nas trilhas e estradas, grutas e cavernas. A altitude elevada proporciona um horizonte de 360° com inesquecíveis espetáculos do nascer e pôr-do-Sol e da Lua. Noites que evidenciam um céu repleto de constelações, onde a Via Láctea chega a clarear o chão e, de quando em quando, estrelas cadentes cortando o firmamento...

Era 1770 e o escravo João Antão, foragido da fazenda do Capitão João Francisco Junqueira, refugiou-se numa distante gruta no alto da serra, onde teve a "visão" de um homem com vestes claras e finos traços, que lhe escreveu uma carta para ser entregue a seu senhor. Ao receber a mensagem, o fazendeiro ficou impressionado com o texto bem escrito, coisa rara para a época e intrigado, quis conhecer o autor. Quando o escravo voltou à gruta acompanhado pelo Capitão e sua tropa, o misterioso homem de branco tinha desaparecido e, em seu lugar, havia uma imagem de São Thomé, um dos apóstolos de Cristo. João Antão foi perdoado e o fazendeiro teria construído, ao lado da gruta, uma rústica capela onde, em 1785, o Barão de Alfenas mandou construir a Igreja Matriz e a estátua lá foi colocada, onde ficou até 1991 quando desapareceu. Em torno dessa igreja, São Thomé das Letras foi surgindo.

DAS LETRAS?

Apesar de parecer que a origem do nome da cidade está relacionada à carta escrita pelo Santo, "das Letras" refere-se à inscrições rupestres que podem ser observadas na entrada da Gruta de São Thomé. Há quem diga serem essas inscrições sinais deixados pelo Santo como prova de sua passagem pelo local. Alguns pesquisadores acreditam terem sido feitas por índios cataguases que habitaram a região, outros crêem ser inscrições de habitantes do neolítico, outros, ainda, explicam as "letras" como sendo um musgo avermelhado, o Lichen Cladonia Sanguinea, que incrustrado na rocha teria produzido os curiosos desenhos. Outras suposições atribuem as inscrições a navegadores pré colombianos, os fenícios e até mesmo a visitantes extra terrestres.

As construções que caracterizam a cidade, feitas com as próprias pedras extraídas no local, cuidadosamente cortadas e empilhadas uma a uma, sem qualquer tipo de argamassa, oferecem segurança e firmeza, como as construções do século XVIII.

Com base na economia local, que é 60% oriunda da extração de pedras de quartzito, usadas no revestimento de casas, passeios, piscinas, e hoje exportadas para vários países da Europa, a cidade ficou conhecida como cidade de pedra.

As lendas, histórias e preceitos iniciáticos formam um clima esotérico na cidade, tornando-a conhecida como a Cidade das Estrelas do Brasil para o mundo, mas a vida dos seus moradores é bem simples, típica do interior de Minas.

São Thomé das Letras é tudo de bom e belo e, ao longos dos últimos anos tornou-se uma cidade turística oficial, onde, no dia 7 de Março de 1996, recebeu o Selo de Potencial Turístico, concedido pela EMBRATUR, passando a integrar oficialmente o rol das principais cidades turísticas do Sul de Minas, pertencendo também ao maior projeto turístico já realizado em Minas Gerais, a Estrada Real.

Hoje, a cidade conta com uma infra-estrutura capaz de receber bem o mais exigente turista e você pode chegar pela estação rodoviária, hoje existe um excelente centro de eventos capaz de abrigar quase 18 mil pessoas e um amplo salão para festas e convenções. Destacando-se pela beleza exótica de suas pedras, rica em cachoeiras, casarões antigos, mistérios, aparições, trilhas e montanhas, a ciddade oferece boas opções para o turista desfrutar de uma vida abundante, boa e bela.

HISTÓRIA DE SÃO THOMÉ DAS LETRAS

Aborrecido pelos maus tratos que recebia na Fazenda Campo Alegre, um escravo de nome João Antão, que diziam que mantinha um caso com a irmã de seu Senhorio, resolveu fugir e se esconder em algum lugar seguro. Encontrou uma gruta no alto da montanha, que oferecia abrigo e uma ampla visão das montanhas ao redor. Ali, alimentando-se de frutos, raízes e caça, o escravo passou a viver. Certo dia apareceu ao escravo, um senhor de certa idade, de olhar sereno e fala macia, vestindo roupas brancas. Certamente um padre jesuíta fugitivo das perseguições do Marquês de Pombal, que por aquela época, havia determinado a expulsão de todos os jesuítas do País. O estranho lhe escreveu um bilhete, dizendo-lhe que o entregando ao seu amo, este lhe daria o perdão. Ele, acreditando no que lhe foi dito, voltou à Fazenda. Ao ler o bilhete, o patriarca da família Junqueira, exigiu que o escravo o levasse a tal gruta. Montou-se uma comitiva que cavalgou até o local. No interior da gruta encontraram uma imagem de um Santo, entalhada em madeira, ao invés do padre Jesuíta. João Francisco, homem profundamente religioso recolheu a imagem e a levou para casa.A imagem sumiu e reapareceu na gruta por várias vezes. Acreditando ser um milagre, o Capitão mandou erguer uma capela no local. Data de 1770 o início do povoamento. Neste ano foi concedida a provisão para a construção de uma capela em homenagem ao Santo. Em 1775 foi erguida outra capela, toda em pedra extraída do próprio local. Antigamente, a região pertencia à Fazenda Campo Alegre, tendo como fundador o Capitão João Francisco Junqueira. Foi ele que iniciou a construção da Igreja Matriz. Ele faleceu em 5 de abril de 1819, sendo sepultado na própria igreja que ele iniciara construção. Dentre os herdeiros deixados pelo Capitão João Francisco Junqueira, destacou-se seu filho, Gabriel Francisco Junqueira, nascido em 1782. Foi ele que, em 1842, recebeu de D. Pedro II o título de Barão de Alfenas. Faleceu em 1869 e também foi sepultado debaixo do altar, na Igreja Matriz de São Thomé das Letras. O senhor de vestes brancas nunca mais foi encontrado. Acredita-se que era ele, o próprio São Thomé. Durante as obras de construção da Igreja, foram encontradas diversas pinturas em tom avermelhado na entrada da gruta, que eram muito semelhantes a letras. Acreditava-se que estas marcas foram deixadas pelo santo, como prova de sua aparição. Historiadores atribuem essas pinturas aos índios cataguases, antigos habitantes da região. Outras pessoas preferem acreditar que foram efetuadas por seres extraterrenos, vindos das estrelas pelo caminho de "Sumé". O nome "Letras" partiu da existência dessas inscrições.

 

 

Fotos

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Igreja Matriz

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Gruta São Thomé

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Pirâmide

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Sobradinho

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Cachoeira Eubiose

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Cachoeira da Gruta Sobradinho

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Cachoeira Vale das Borboletas

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